O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, sancionou uma lei que reformula as regras de mobilização militar do país.

A legislação impõe um novo requisito a todos os homens entre os 18 e os 60 anos, para se registrarem nas Forças Armadas da Ucrânia e para transportarem consigo os seus documentos de registro em todos os momentos. O objetivo é tornar os processos de recrutamento mais eficientes e transparentes, afirma o governo.

Homens em idade de serviço que vivam no exterior não poderão renovar seus passaportes nos consulados ucranianos sem apresentarem documentação de registro atualizada.

A nova lei não cobre possível aumento no número de pessoas que possam ser convocadas para servir.

Também não contém disposições para a desmobilização de soldados que passaram longos períodos em combate.

Os legisladores ucranianos debateram durante meses se deveriam permitir que os soldados ucranianos mais antigos tivessem a oportunidade de voltar para casa, ou se as renovadas ofensivas da Rússia significavam que não podiam se dar ao luxo de permitir que soldados exaustos descansem.

O projeto de lei foi alterado mais de 4 mil vezes desde que foi introduzido pela primeira vez, o que mostra o quão politicamente difícil tem sido a elaboração da legislação.

O Parlamento da Ucrânia acabou eliminando os planos de desmobilização para manter o maior número possível de soldados nas linhas da frente, desiludindo muitas famílias que esperavam que um período fixo de três anos de serviço ativo também fosse considerado na nova lei.

A lei foi aprovada pelos parlamentares na semana passada, e Zelensky deu a aprovação presidencial nesta terça-feira (16).

No final do ano passado, o líder do partido Servo do Povo, de Zelensky, no Parlamento disse que os militares procuravam mais meio milhão de militares.

Mas o comandante-chefe da Ucrânia, Oleksandr Syrsyki, disse recentemente que qualquer aumento nos números de soldados seria provavelmente significativamente menor.

A assinatura da lei por Zelensky ocorreu pouco depois de o comandante da Ucrânia na frente oriental ter avisado que as tropas russas superavam as suas em até 10 vezes.

Depois da lei ter sido aprovada na semana passada, dezenas de esposas e familiares de militares se reuniram em frente ao Parlamento da Ucrânia para protestar e exigir que os prazos de mobilização fossem incluídos.

Anastasia Bulba, cujo marido Vitalii se ofereceu para se juntar ao Exército imediatamente após a Rússia ter lançado a sua invasão em grande escala em fevereiro de 2022, disse à CNN que os soldados da Ucrânia “ficaram sem termos de serviço e sem ideia de quando poderão regressar às suas famílias”.

“Os defensores do país, sobre os quais repousa a independência de todo o país, foram enganados”, disse ela.

Fonte: CNN Brasil