O tempo está se esgotando para evitar a fome em Darfur, no oeste do Sudão, alertou uma agência da ONU, enquanto a escalada da violência devasta a nação africana.

As pessoas foram forçadas a consumir “grama e cascas de amendoim”, disse, nesta sexta-feira (3), o diretor regional do Programa Mundial de Alimentos (PMA) para o leste da África.

“Se a assistência não chegar em breve, corremos o risco de testemunhar uma fome generalizada e mortes em Darfur e em outras áreas afetadas pelos conflitos no Sudão”, acrescentou Michael Dunford.

O Sudão está mergulhado em uma guerra civil desde abril de 2023, quando combates irromperam entre o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (FAR), uma milícia paramilitar. Rapidamente, transformou-se em um conflito brutal caracterizado por relatos de violência sexual e violência genocida, além de baixas civis, desencadeando um êxodo de refugiados.

Na quinta-feira (2), dois motoristas do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) foram mortos por homens armados em Darfur do Sul, em um ataque que deixou outros três funcionários feridos, de acordo com a organização humanitária.

A equipe do CICV foi atacada a caminho para avaliar a crise entre as comunidades afetadas pela violência armada na região, disse a organização.

O mais recente aumento da violência ocorre enquanto as FARs cercam a capital do Norte de Darfur, El Fasher.

Na cidade e em suas localidades vizinhas, houve “aumento de assassinatos arbitrários”, “queima sistemática de aldeias inteiras” e “escalada de bombardeios aéreos”, disse o vice-coordenador humanitário da ONU para o Sudão, Toby Hayward.

Hayward acrescentou que El Fasher é a única cidade em Darfur que não foi capturada pelas FARs e hospeda milhares de pessoas que foram deslocadas pela guerra. Pelo menos 500 mil das pessoas abrigadas na cidade foram deslocadas pela violência em outros partes do Sudão, de acordo com o fundo da ONU para a infância, o UNICEF.

Mais de 36 mil pessoas foram forçadas a fugir de suas casas em El Fasher nas últimas semanas, informou o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

Pelo menos 43 pessoas foram mortas na cidade e nos arredores desde a escalada dos combates há pouco mais de duas semanas, disse na quinta-feira a diretora executiva do UNICEF, Catherine Russell.

“Ataques recentes a mais de uma dúzia de aldeias no oeste de El Fasher resultaram em relatos horríveis de violência, incluindo violência sexual, crianças feridas e mortas, casas incendiadas e destruição de suprimentos e infraestrutura civis críticos”, detalhou Russell.

Enquanto isso, as entregas de assistência alimentar em Darfur “têm sido intermitentes devido ao combate e a inúmeros obstáculos burocráticos” e pelo menos 1,7 milhão de pessoas na região estão passando por níveis emergenciais de fome, de acordo com o Programa Alimentar Mundial.

“A mais recente escalada de violência em torno de El Fasher interrompeu os comboios de ajuda que vêm da travessia de fronteira de Tine, no Chade – um corredor humanitário recentemente aberto que passa pela capital do Norte de Darfur,” acrescentou o PMA. Restrições impostas pelas autoridades na cidade costeira de Porto Sudão têm dificultado as entregas de ajuda, disse o PMA, impedindo o transporte de socorro via Adré, uma cidade vizinha ao Chade.

Mais de 8,7 milhões de pessoas, incluindo 4,6 milhões de crianças, foram deslocadas pela guerra no Sudão e 24,8 milhões precisam de assistência, segundo o OCHA.

Fonte: CNN Brasil