Resumo
Geraldo Filipe da Silva, de 27 anos, foi inocentado pelo STF após confidenciar ter ido à Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro por curiosidade. Ele foi preso sem ter participado de ações golpistas, que pretendiam a volta de Jair Bolsonaro à presidência.


O réu Geraldo Filipe da Silva foi absolvido pelo STF

Foto: Reprodução / Reprodução

Geraldo Filipe da Silva, de 27 anos, ficou preso 11 meses por causa dos atos golpistas de 8 de janeiro. Nesta semana, ele foi o único inocentado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após confidenciar que foi até a Praça dos Três Poderes por curiosidade, já que ouviu barulhos de bombas e dos helicópteros.

Geraldo é serralheiro, mas vive em situação de rua. No dia dos fatos, ele ouviu a confusão e foi ver o “pau quebrando”. No local, foi acusado de ser um dos infiltrados da esquerda e chegou a apanhar de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em entrevista para o Uol, ele confessou que nem simpatiza com o ex-Chefe de Estado. 

O serralheiro foi preso quando pulou alguns degraus para fugir dos golpistas e deu de cara com a Polícia Militar, e levou uma rasteira. O homem não estava de verde-amarelo como os demais, e seus pés tinham feridas abertas, pois estava andando há três anos, e por isso não entende como foi confundido com um infiltrado ou um dos suspeitos. 

“Eu não participei de grupos [no WhatsApp], não ia em manifestações e acampamentos. Eu fiquei no Centro Pop [equipamento para pessoas vulneráveis] na Asa Sul. Não tinha envolvimento com os patriotas”, afirma. 

Dias na cadeia

O serralheiro está em liberdade desde o dia 25 de novembro de 2023, mas passou dias intensos e de isolamento na Papuda. Os detentos que estavam na mesma caravana que foi ao Distrito Federal andavam juntos na cadeia, no entanto, ele não conhecia ninguém. 

Por ser considerado da esquerda, Geraldo foi hostilizado e seu convívio com os bolsonaristas foi um tanto complicado. Um dos detentos apontou o dedo na sua cara, mas avisou que respeitaria a idade avançada e não entraria em briga. Mesmo assim, as discussões o levaram para a primeira passagem pela solitária. 

Na segunda, já sabia que não tomaria banho de sol por um mês e teria como única companhia seus pensamentos. Em dias de solidão, chorou na Papuda. “Me chamaram de infiltrado. A gente não consegue dormir com medo daqueles caras fazerem mal para mim”, reforçou.

Ele conta que chegou a ser acusado pelos demais presos de integrar o PCC, mas reitera que não é um dos membros da facção. 

Conforme a reportagem, o serralheiro tem problemas cognitivos, e confessou que acredita que seu cérebro é monitorado por equipamentos eletrônicos e satélites, então, seus pensamentos são transmitidos via rádios e aplicativos de música. 

Na cadeia, leu alguns livros e teve uma luz: soube do caso de Edward Snowden, o funcionário da CIA que revelou um esquema global de espionagem por parte dos Estados Unidos. Então, ele entendeu porque seus pensamentos eram transmitidos. 

Agora que foi inocentado, Geraldo acredita que alguém deve pegar financeiramente pelo tempo que ficou detido, e por isso, vai processar o Estado. 

Base para os demais

O morador de rua afirmou que nunca participou de campanhas políticas e sequer se filiou a algum partido. Mesmo assim, segue sendo atacado por bolsonaristas, até nas redes sociais. Seus perfis no Instagram e Facebook recebem comentários o chamando de comunista, infiltrado e esquerdista. 

Geraldo foi defendido pela advogada Taniéli Telles de Camargo, que acompanha outras 140 pessoas presas pela invasão às sedes dos Três Poderes. Ela usará o caso do morador de rua para defender os demais. 

Segundo ela, há uma falta de individualização das acusações, defendendo o argumento de que a investigação não descobriu o papel de cada detento preso pelo 8 de janeiro. Para a advogada, o STF decidiu fazer uma acusação genérica, sem levar em conta os atos individuais de cada suspeito.

Ao todo, 116 envolvidos nos ataques golpistas foram condenados, com penas que vão de 11 a 17 anos de prisão.


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Fonte: Redação Terra

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