Neste sábado, a Fórmula E realiza a segunda edição do ePrix de São Paulo, com a categoria marcando presença no Brasil por dois anos seguidos em eventos realizados no Anhembi, onde as corridas são marcadas pelo vácuo decorrente da maior reta do ano. Além disso, é o momento dos pilotos do País terem contato com os torcedores brasileiros, sendo um momento especial para o mineiro Sérgio Sette Câmara (ERT) e, ainda mais, para o paulista Lucas di Grassi (Abt-Cupra).

Di Grassi, aliás, fala com emoção da prova em sua cidade natal até por estar no grid da F-E desde a criação da categoria, há 10 anos. Tendo em vista a década de existência da competição, o vencedor da temporada 2016-17 (Lucas é um dos dois pilotos do Brasil a terem sido campeões, junto a Nelsinho Piquet) avaliou a conjuntura atual da F-E durante entrevista exclusiva ao Motorsport.com.

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“O carro tem performance muito boa em termos de velocidade, aceleração, mas ninguém sabe me explicar ainda por que a gente não tem tração nas quatro rodas e não pode usar a potência total do carro nas pistas. Em algumas tudo bem, tem limite de velocidade, mas o carro faz 0 a 100 mais rápido que um Fórmula 1 e a gente não pode usar o motor ‘inteiro’ pra acelerar. É só mudar o software e acelerar”, ponderou, criticando F-E e Federação Internacional de Automobilismo.

“A gente tem uma série de decisões de performance que eu sou totalmente contra, acho que a categoria poderia ter muito mais performance sem aumentar custo e isso daria mais credibilidade, mais interesse para a categoria, mais emoção, de forma geral. São coisas relativamente simples de fazer, então eu acho que a categoria é muito… É decisão da FIA, mais da FIA do que da F-E, mas também da F-E”, seguiu.

“A gente tem um limite de bateria que não dá para ser usado, mas enfim, a geração 4 [dos carros] vai mudar bastante isso. E a F-E está crescendo, está achando outros mercados, voltando para a China, indo para Tóquio, teve a entrada de McLaren, Maserati… Manter um campeonato com 10 montadoras [é difícil], sempre três ou quatro perdem, ficam para trás. Então, acho que o nível de montadoras que a gente tem é super adequado, mas precisa melhorar o nível de performance.”

“Precisa continuar melhorando o nível de apelo e respeito do público. E acho que na teoria tem tudo pra crescer. Então acho que falta um pouco ainda dessa motivação pré-pandemia. Mas estamos no caminho certo, é só melhorar com o carro na Gen4. Se feito de modo adequado, acho que a chance é bem alta”, seguiu o piloto brasileiro que passou pela F1 na já extinta equipe Virgin, em 2010.

Lucas ainda sugeriu novas praças para a F-E. “Eu adoraria correr em Macau, só precisa fazer um carro que caiba em Macau, nem que seja 7, 8 voltas. Não tem problema, só de ser o carro mais rápido em Macau seria sensacional”, disse ele, que também sugeriu uma prova da categoria na mítica pista alemã de Nurburgring Nordschleife, conhecido como o ‘Inferno Verde’ por estar no meio da floresta e ser altamente perigoso. “Que sejam só duas voltas, seria muito legal!”.

Di Grassi também criticou outras escolhas da F-E. “Fizeram o carro mais frágil para ter menos contato nas provas. O contato tem que ser evitado de forma esportiva, não na durabilidade das peças. Você tem que enfatizar a parte esportiva muito mais: bateu duas, três vezes ou entortou parte do carro, então você é obrigado a fazer um pit, enfim… Com regras que dá pra resolver. Agora, fazer  carro mais frágil só aumenta custo”, finalizou o detentor de vários recordes na F-E.

O ePrix de São Paulo da F-E tem sua primeira sessão decisiva na manhã deste sábado, às 9h40, com o treino de classificação. A corrida é às 14h. O BandSports transmite o TL2 enquanto quali e corrida ficam com a Band, e você pode acompanhar também tudo da cobertura completa do Motorsport.com.

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