Autoridades do Hamas e da CIA, a agência de inteligência dos EUA, vão se reunir com mediadores egípcios para discutir um acordo para uma trégua e a libertação de reféns na Faixa de Gaza neste sábado (4), disse uma fonte egípcia.

O anúncio do Hamas de que enviaria uma delegação ao Cairo, capital do Egito, aconteceu na sexta-feira (3), horas depois que o diretor da CIA, William Burns, chegou ao Egito, segundo fontes.

Ainda não está claro se serão feitas reuniões separadas ou em conjunto.

O Egito, junto do Catar e os Estados Unidos, tem liderado esforços de mediação entre Israel e o Hamas para um acordo de cessar-fogo no conflito que começou em 7 de outubro.

O Hamas pontuou que seus delegados viajariam para o Cairo com um “espírito positivo” depois de estudarem a última proposta de um acordo de trégua.

“Estamos determinados a garantir um acordo que satisfaça as exigências dos palestinos”, afirmou o grupo armado em comunicado.

Uma autoridade americana afirmou que os Estados Unidos acreditam que houve algum progresso nas negociações, mas ainda estão esperando para ouvir mais.

A CIA se recusou a comentar, seguindo sua política de não divulgar viagens do diretor.

Entrave nas negociações

As negociações de trégua continuaram durante meses sem um avanço decisivo. Israel destacou que está determinado a eliminar o Hamas, enquanto o grupo diz que quer um cessar-fogo permanente e retirada total de Israel da Faixa de Gaza.

O Egito fez mais uma tentativa para recomeçar as negociações no final do mês passado.

O país está alarmado com a perspectiva de uma operação terrestre israelense contra o Hamas em Rafah, cidade no sul de Gaza, onde mais de 1 milhão de pessoas se abrigaram perto da fronteira com a Península do Sinai, no Egito.

Tanque israelense manobra perto da fronteira Israel-Gaza, em meio ao conflito em curso entre Israel e o grupo islâmico palestino Hamas / , em Israel 10/04/2024 REUTERS/Amir Cohen

Fontes egípcias dizem que ambos os lados fizeram algumas concessões recentemente, levando ao progresso nas conversas, embora Israel continue alertando que uma operação em Rafah é iminente.

A guerra começou depois que o Hamas realizou um ataque em 7 de outubro no sul de Israel, no qual 1.200 pessoas foram mortas e 253 reféns foram capturados, segundo registros israelenses.

Mais de 34 mil palestinos foram mortos e mais de 77 mil ficaram feridos por fogo israelense durante uma ação militar que devastou o território costeiro, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas.

Uma grande operação israelense em Rafah poderia desferir um enorme golpe nas frágeis operações humanitárias em Gaza e colocar muito mais vidas em risco, segundo utoridades da ONU.

Fonte: CNN Brasil