Na história do Japão, o período Edo, entre 1603 e 1868, desperta até hoje enorme fascínio. Foi a época do shogunato Tokugawa, de samurais a serviço dos líderes locais, conhecidos como daymios, e das políticas isolacionistas que mantiveram a rígida ordem social. Esse momento histórico já foi retratado em games antes, mas ganha um tratamento épico em A Ascensão de Ronin, lançamento exclusivo de PlayStation 5 que chega amanhã às lojas.

Trata-se de uma aventura em terceira pessoa que põe o jogador no papel de um Ronin, um samurai sem mestre, treinado na arte das espadas gêmeas, que consiste em lutar ao lado de um parceiro. Após ser separado do companheiro (logo nos primeiros minutos de jogo), precisa reencontrá-lo. E a jornada o leva a diversas cidades históricas, como Yokohama, Kyoto e Edo, o antigo nome de Tóquio.

O jogador pode escolher seu personagem, entre opções masculinas e femininas, e customizá-lo nos mínimos detalhes, da cor de pele ao formato das sobrancelhas. O processo ajuda a criar uma conexão maior com o protagonista. Uma pena que ele não tenha voz dentro do game. Embora os personagens silenciosos sejam comuns em diversos jogos famosos, ter uma voz própria ajuda a dar mais personalidade. Ainda mais sendo que o título tem dublagem em português, que é bastante competente na maior parte do tempo.

O foco da jogabilidade é no combate. Há um vasto arsenal de armas brancas, de duplas de espadas a lanças e outras alternativas pesadas, arcos e até pistolas e rifles ocidentais, uma inovação técnica que havia acabado de chegar no Japão. É preciso dominar sequências de golpes e aprender o momento certo de se esquiar ou bloquear os golpes inimigos. Um bloqueio no momento certo, por exemplo, cria a oportunidade de um contragolpe devastador. Há ainda uma barra de energia que esgota após alguns golpes. É preciso tomar cuidado para não ficar sem fôlego no meio de um ataque inimigo. Além dos capangas, que aparecem aos montes no mapa, há rivais mais poderosos, que exigem uma técnica em constante mudança.

Foco do game é no exigente combate; há três níveis de dificuldade para escolher – (Playstation/Divulgação)

Apesar de preciso e gratificante, o combate é bastante difícil. Há três modos de dificuldade, mas o médio já oferece um desafio bastante elevado. Logo nos primeiros momentos, até me acostumar com os comandos e os controles, sofri para passar de inimigos básicos. O jogo te obriga a ultrapassar certas sequências antes de permitir que o avanço seja salvo, e se o personagem for morto no meio do caminho é preciso recomeçar todo aquele trecho do início. Pode ser uma experiência frustrante para quem se recusa a baixar a dificuldade.

A variedade de níveis é interessante por permitir que jogadores mais interessados em curtir a história e os cenários possam aproveitar o título sem “apanhar” dos inimigos. Em meados dos anos 2010, o gênero “soullike“, baseado nos dificílimos RPGs da From Software, como Demon’s Souls e Dark Souls, atraiu uma legião de admiradores. E desde então se discute se os games devem ter um nível único de dificuldade, como imaginado pelos desenvolvedores, ou se deviam ser mais acessíveis a perfis diferentes de jogadores. Aqui, dá para escolher, e até mudar de ideia no meio do percurso.

Além do combate, há um mundo extremamente rico e detalhado para explorar. A recriação das cidades é caprichada e ajuda a mostrar a vida como ela era. Ambientes como o Distrito do Prazer, em Yokohama, nas primeiras horas do jogo, ou alguns dos ambientes rurais entre as cidades principais são memoráveis pela riqueza de detalhes e cores. Embora os cenários sejam bonitos, falta um pouco de vida. Há transeuntes espalhados por todo canto, mas eles não transmitem a sensação de uma metrópole vibrante. É um detalhe menor, mas que poderia contribuir ainda mais para a imersão.

Como todo tipo de jogo de mundo aberto, não faltam opções de missões paralelas, além da história principal. Há templos que fornecem pontos de habilidade, usados para aprimorar as capacidades do personagem, ou fugitivos procurados, que oferecem um bom desafio. É possível ainda interagir com alguns personagens e atender seus pedidos, ou ainda procurar por gatos fofinhos espalhados pelo vasto cenário. Nesse aspecto, A Ascensão de Ronin não foge da fórmula. Portanto, vai atender os apreciadores desse estilo, mas não deve convencer os detratores.

O novo jogo da Team Ninja, desenvolvedora responsável por pelas séries Ninja Gaiden e Dead or Alive, é uma aventura bem construída e envolvente, com um sistema de combate desafiador, mas gratificante, e um vasto mundo pronto para ser explorado. Para quem se interesse por esse rico período da história japonesa, A Ascensão do Ronin vai oferecer muitas horas de diversão.

Mundo de A Ascensão de Ronin é vasto e repleto de missões paralelas -
Mundo de A Ascensão de Ronin é vasto e repleto de missões paralelas – (Playstation/Divulgação)

A Ascensão de Ronin chega ao PlayStation 5 nesta sexta-feira, 22, por R$ 350. Assista ao trailer abaixo:

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