Foto: Joka Gueiros/ Secom PMS

O 25º Concurso Nacional de Fantasia Gay e o 2º Desfile Rainha LGBTRANS do Carnaval de Salvador movimentaram a segunda-feira (12) de folia na Praça Municipal. Os eventos são ações afirmativas destinadas às candidatas e candidatos LGBT+, com foco na alegria carnavalesca, nas fantasias, simpatia e performance dos participantes.

Para o Desfile, cada inscrito teve direito a cinco minutos de apresentação. Dez candidatas participaram do evento, cada uma executando um número autoral, sob avaliação do corpo de jurados. A jovem trans Nola Andrade, conhecida como Nola Criola, de 25 anos, foi eleita rainha. “É uma responsabilidade grandiosa que eu pretendo levar com seriedade. Estou emocionada, principalmente sendo uma travesti preta, assumindo tal cargo” disse.

Natural de Itapucuru, no interior do estado, Nola mora no bairro de Pirajá,  “Estou muito grata e emocionada. Para mim, é uma responsabilidade grande ser rainha, principalmente sendo travesti. É uma representação fiel de toda uma comunidade e pretendo levar esse legado, construindo construir algo coerente. Dedico o prêmio para a minha família, que está toda no interior, e que eu gostaria muito que estivesse aqui neste momento”, disse a majestade, emocionada.

 
A primeira princesa foi Havena Drummond, de 25 anos, do bairro de São Cristóvão, enquanto a segunda foi Jackellyne Santos Coelho, 37, do bairro de Sete de Brasil. Para participar do 2º Desfile Rainha LGBTRANS, era necessário ter idade mínima de 18 anos e máxima de 60; ser natural da Bahia ou residir em alguma cidade baiana há mais de três anos consecutivos.

Segundo o coordenador do Centro Municipal de Referência LGBT+ Vida Bruno, Marcelo Cerqueira, as atrações fazem parte de uma política afirmativa da Prefeitura de Salvador.

“Mais um ano de concurso. É um trabalho muito gratificante, porque é algo em prol da comunidade LGBT+ de Salvador que participa. Neste ano, temos o segundo ano da Rainha LGBTRANS do Carnaval que teve uma receptividade incrível. Os jurados foram super criteriosos no julgamento para não haver injustiça, porque aqui é uma festa para todos nós”, frisou Cerqueira.

Para a avaliação, foram levados em conta a sociabilidade e facilidade de expressão; a simpatia e espírito carnavalesco e o domínio da arte da apresentação. A Rainha do Carnaval recebeu um prêmio de R$ 2,5 mil, a primeira princesa, de R$ 1,9 mil, e a segunda, de R$ 1,5 mil.

Fantasias – A 25ª edição do Concurso Nacional de Fantasia Gay do Carnaval de Salvador teve duas categorias de premiação: a luxo e a originalidade.

Foram três prêmios para a categoria luxo: R$9 mil para o primeiro lugar; R$8 mil para o segundo e R$7 mil para o terceiro. A categoria originalidade também teve três premiações: R$7 mil para o primeiro, R$6 mil para o segundo e R$5 mil para o terceiro.
 
A eleição das melhores fantasias de luxo levou em conta a beleza, elegância, simpatia, desenvoltura na passarela, pedraria, penas, postura, andar e também o valor gasto por candidato/candidata na produção da roupa. Este é um dos desfiles mais esperados, devido à apresentação das roupas luxuosas e bonitas de apreciar.

Luxo – Vestida de Malévola, vilã da Disney, a pernambucana Kamylla Silva, de 30 anos foi classificada em primeiro lugar. Pelo segundo ano consecutivo, ela venceu na categoria luxo, dessa vez, com uma fantasia de 60 quilos de pedras, adereços como plumas, lantejoulas e penas de faisão.

O segundo lugar foi para Sandra Farias, 48 anos, também de Pernambuco; enquanto a terceira colocação ficou com o juazeirense Geraldo Pontes. “Eu tenho a maior satisfação de saber que um estado tão grande, do Carnaval do Axé, dá a oportunidade. É muita felicidade construir nosso trabalho, mostrar que temos potencial”, revelou Sandra.

Ela conta que chegou a gastar R$ 50 mil com a fantasia. “Só as esculturas, custam na média três mil reais, fora os brilhos, as plumas, é muita coisa. Nós traduzimos o personagem para o povo, com brilho e luxo”. 

Originalidade – O primeiro lugar na categoria originalidade venceu Michelle Almeida, 28 anos, natural de Recife, Pernambuco, enquanto a segunda colocação ficou com Severino Queiroga com a alegoria dedicada ao Bloco Olodum. Com a fantasia “Os Anjos Feriram-se”, trazendo o tema da guerra de Israel e Palestina, Antônio Matos, 38 anos, ganhou o terceiro lugar. 

Na categoria originalidade, os critérios são mais simples, como a semelhança com a ideia original e criatividade para a produção das peças. Nessa modalidade, é proibida a utilização de materiais preciosos que possam dar conotação de luxo.

Ao todo, o Concurso Nacional de Fantasia Gay teve 11 fantasias de originalidade e oito fantasias de luxo de grande porte.  

Reportagem: Ana Virgínia/Secom PMS