O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antonio Guterres, pediu nesta segunda-feira (6) que o governo de Israel e o Hamas “façam o esforço extra necessário para tornar um acordo [de cessar-fogo] realidade e acabar com o sofrimento atual [em Gaza]“, disse sua porta-voz.

“O secretário-geral está profundamente preocupado com as indicações de que uma operação militar em grande escala em Rafah pode ser iminente”, destacou Stephane Dujarric.

“O Secretário-Geral lembra às partes que a proteção dos civis é fundamental no direito humanitário internacional”, complementou.

O Exército de Israel alertou nesta segunda para que civis saiam da cidade de Rafah, onde mais de um milhão de pessoas se refugiaram. Mais tarde, o gabinete de guerra israelense decidiu continuar com a ofensiva na cidade.

Sobre isso, o chefe dos direitos humanos da ONU, Volker Türk, classificou como desumana a exigência de Israel para que os palestinos saiam de Rafah.

“Os habitantes de Gaza continuam sendo atingidos por bombas, doenças e até pela fome. E, hoje, disseram-lhes que devem se deslocar mais uma vez à medida que as operações militares israelenses em Rafah aumentam”, pontuou Türk em comunicado.

“Isto é desumano. É contrário aos princípios básicos da política internacional, leis humanitárias e de direitos humanos, que têm a proteção efetiva dos civis como a sua principal preocupação”, adicionou.

Türk criticou Israel por “realocar à força” centenas de milhares de pessoas para áreas já fortemente destruídas e onde há pouco abrigo e praticamente nenhum acesso à assistência humanitária necessária para a sua sobrevivência, acrescentando que não há lugar seguro fora de Rafah.

Ele também alertou que aqueles que não cumprem as leis internacionais de direitos humanos devem ser responsabilizados.

Hamas aceita proposta de cessar-fogo

O chefe do gabinete político do Hamas, Ismail Haniyeh, ligou para mediadores para informar que o grupo armado aceitou uma proposta para um acordo de cessar-fogo e libertação de reféns feita pelo Catar e pelo Egito.

Uma fonte afirmou à CNN que o acordo que o grupo armado aceitou é diferente daquele que Israel ajudou a construir com os mediadores de Catar e Egito.

Israel ainda não aceitou a medida, mas Netanyahu afirmou que enviará uma delegação para negociações.

“Paralelamente, embora a proposta do Hamas esteja longe das exigências necessárias de Israel, Israel enviará uma delegação de trabalho aos mediadores, a fim de chegar a um acordo em condições aceitáveis para Israel”, afirmou.

Uma fonte diplomática familiarizada com as discussões disse à CNN que, depois de uma reunião em Doha, capital do Catar, entre o diretor da CIA, a agência de inteligência dos EUA, William Burns, e o primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, os mediadores convenceram o Hamas a aceitar um acordo de três fases.

Os Estados Unidos ressaltaram que estão analisando a resposta do Hamas, enquanto o presidente da Turquia pediu que Israel aceite o acordo.

*com informações da Reuters

Fonte: CNN Brasil