Um contêiner que transportava itens essenciais para bebês recém-nascidos e suas mães – incluindo reanimadores e outros suprimentos essenciais – foi saqueado em Porto Príncipe no sábado (16), disse a agência humanitária UNICEF em um comunicado.

Nas últimas semanas, a violência de gangues e uma crise humanitária vem se agravando na capital haitiana.

Além de suprimentos de maternidade e neonatais, o contêiner saqueado também continha “equipamentos para desenvolvimento e educação na primeira infância e água”, disse a UNICEF.

Mais de 260 contêineres contendo ajuda humanitária são agora controlados por grupos armados que invadiram o principal porto da cidade na semana passada, acrescentou a agência da ONU.

O roubo dos suprimentos “ocorre num momento crítico, quando as crianças mais precisam deles”, disse o representante da UNICEF, Bruno Maes, no Haiti.

“A pilhagem de bens essenciais para o apoio à vida das crianças deve terminar imediatamente e o acesso humanitário deve permanecer seguro”, acrescentou Maes.

“Privar as crianças de suprimentos vitais de saúde em meio a um sistema de saúde em colapso é uma violação dos seus direitos.”

Desde janeiro, a violência no Haiti exacerbou um sistema de saúde já em ruínas.

Três em cada quatro mulheres e crianças na área de Porto Príncipe não têm acesso à saúde pública e à nutrição básicas, segundo a UNICEF.

Existem apenas dois centros cirúrgicos funcionais disponíveis na capital. Seis em cada 10 hospitais em todo o país não conseguem funcionar devido à escassez de eletricidade, combustível e suprimentos médicos.

O derramamento de sangue continuou nos últimos dias, com vários criminosos mortos durante uma operação policial num bairro de Porto Príncipe onde vive e opera o líder de gangue Jimmy “Barbeque” Cherizier, anunciou no sábado a Polícia Nacional do Haiti (HNP).

As autoridades afirmaram ter trocado tiros com os homens de Cherizier em operação realizada na sexta-feira (15), para “frustrar as ações de gangues armadas”. A polícia também disse que apreendeu armas de fogo e desbloqueou estradas no bairro Lower Delmas.

“Novas estratégias estão sendo implementadas pela instituição policial com o objetivo de recuperar algumas áreas ocupadas por essas gangues armadas nos últimos dias, a fim de facilitar a livre circulação de cidadãos pacíficos”, diz um comunicado da PNH.

Duas fontes policiais disseram à CNN na sexta-feira que as autoridades lançaram a operação em Lower Delmas enquanto as forças especiais perseguiam Cherizier.

A PNH não especificou se a polícia localizou Cherizier, mas disse que um relatório sobre o andamento das operações seria divulgado em breve.

O Haiti tem lutado para resolver uma crise política e humanitária de longa data e 80% de Porto Príncipe é atualmente controlada por gangues, segundo estimativas da ONU.

Dentro do país, restam poucos espaços seguros. Todas as estradas que saem de Porto Príncipe atualmente estão bloqueadas por gangues. A polícia nacional reagiu, mas com recursos limitados.

Todos os acessos aos portos e ao aeroporto internacional foram bloqueados.

Nada está entrando também. Os supermercados estão ficando sem alimentos, os postos de gasolina estão sem combustível e os hospitais estão com pouco sangue.

“O fracasso em parar a violência e em reabrir rotas logísticas críticas irá agravar significativamente a crise da saúde”, disse Maes. “Estamos testemunhando uma catástrofe humanitária e resta pouco tempo para revertê-la.”

Uma equipe da CNN conseguiu pousar em Porto Príncipe de helicóptero na sexta-feira, após dias de planos intermitentes que exigiam medidas de segurança detalhadas e múltiplas camadas de aprovação diplomática.

Entretanto, foram concluídos os primeiros voos de uma ponte aérea da ONU entre o Haiti e a vizinha República Dominicana, disseram fontes da ONU à CNN.

Por enquanto, a única opção para entrar e sair da capital haitiana é um helicóptero de evacuação privado, disponível para estrangeiros ricos e diplomatas – onde um único assento pode custar atualmente mais de US$ 10.000 (R$ 49.963).

Os suprimentos médicos seriam a prioridade para o frete, disseram as fontes, com os trabalhadores da ONU sendo transferidos para dentro e para fora do país.

Fonte: CNN Brasil

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